Wednesday, January 06, 2010

Bicharada

Essa turma anima as férias da Amanda na casa da vovó e do vovô, lá em Quilombo:
Azeitona, a gata dengosa...


3x4 do Tufão, o bebê da casa... Ele tem mais pernas que juízo.

Peteleca, a mais velhinha, com sua cara de medo de máquina fotográfica.

Lua, a cachorrinha que ri e alegra nossa vida!


Faltou o Chuchu, o gato maluco, que sumiu na hora das fotos.


Feliz Ano Novo!!

Tuesday, December 01, 2009

100% pública

Manifestação pela manutenção do espaço público da Penitenciária de Florianópolis.
Pela transformação da área em local de cultura, lazer e esporte!
A cidade merece!
É uma luta de todos!

Friday, November 06, 2009


Será que ele atende na Trindade?

Tuesday, October 20, 2009

Edgar era azul e bem querido

Chamava-se Edgar e era de um azul bem azul. Morava comigo e com Amanda, minha filha, que tinha então 4 anos, no Itacorubi, aqui em Florianópolis. Era o ano de 2003.

Um querido, o Edgar compartilhava nossas vidas e nossas aventuras. Se descíamos para brincar no gramadinho que ficava atrás do prédio, o Edgar ia junto. Ficava ali, na boa. Eu lendo um livro na minha cadeira de praia, debaixo da laranjeira. A Amanda espalhando brinquedos pela grama. Ele ali, tranquilão e azul. Dentro de casa, quando colocávamos o cd do Palavra Cantada a todo volume, ele dançava também. Era um querido, o Edgar.

Um dia, fomos viajar. Nós duas, não deu pra levar o Ed. Deixamos na vizinha, prédio ao lado do nosso, amiga de algum tempo. Seriam poucos dias.

Na volta, ligo para a amiga pra buscar o Edgar.

- Oi, voltamos. Posso passar aí e pegar o Ed?

- Oi, Adri. Olha, não vai dar agora...Estou fora de casa. Podes me ligar de noite?

Claro, eu respondi. Mas confesso: senti algo de estranho na voz da minha interlocutora.

A verdade é que se passaram três dias de telefonemas, desculpas e desencontros. E nada do Edgar voltar pra casa.

Era um final de tarde de sexta, quarto dia depois do retorno da viagem. Eu saí do trabalho e passei no "escritório", ali no Seu Zezinho, no Mercado Público, pra encontrar uns amigos. Estavam todos muito esquisitos. Houve um constrangimento geral, um ar cerimonioso demais para minha chegada. Fúnebre.

Espera: quem me conhece sabe que sou expansiva e que quando chego, em geral, os amigos me recebem rindo. Não foi assim naquele dia.

Sentei, pedi uma cerveja pro Pinga, filho do Seu Zezinho. Márcia e Cristina cochichavam. Sérgio Murilo mal olhava pra mim. Valci fumava olhando pro outro lado.

Explique-se: Cristina era, então, sogra da minha amiga que hospedava o Edgar. Algo de estranho acontecia.

Ouvi a Márcia dizer pra Cris: Melhor contar de uma vez, de sopetão.

A Cris me olhou, triste, e disse:

- Adri, a gente não sabia como te dizer, mas o Edgar morreu.

- Como?

- É, subiu no telhado.

Nisso toca o telefone. Era a Bianca, minha amiga hospedeira.

- Adri, é a Bianca. Desculpa, mas eu não conseguia te contar. Os livros da estante caíram e derrubaram o aquário...Quando cheguei em casa, ainda no dia que tu viajou, o Edgar tinha ido dessa pra melhor...

- Bianca! Não fica assim, isso acontece...

Todos na mesa me olhavam com cara de velório. Eu dei uma risada.

- Gente, eu amava o Edgar, mas se a morte dele serviu pra me mostrar o quanto vocês me consideram, ele foi por um bom motivo, né?

De noite, contei pra Amanda. Ficou tudo bem. Mostrei pra ela onde a Bianca tinha enterrado o Ed. Conversamos sobre a morte e tals. Ficou, realmente, tudo bem.

Beijo, Ed. Beijo, turma.

Monday, October 12, 2009

Fito y La Negra

Monday, October 05, 2009

El año del cerdo
Curta super bacaninha. Realização de alunos da Escuela Internacional de Cine y Televisión de San Antonio de Los Baños, Cuba. A história se passa no bairro chinês de Havana.
Comi um yakisoba por ali, em 2003, com amigos de vários países:
Colômbia, Espanha, Brasil, Chile, Dinamarca...
Bons tempos!



Dica do blog da Cinelo

Wednesday, September 23, 2009

O velório de Jesus Cristo

Aconteceu em Porto Alegre, alguns anos atrás.
Era uma Sexta-feira Santa. Eu estava em casa, na Cidade Baixa.
Telefone.

- Oi, Adri! Vamos comigo na missa? Faz tempo que não vou...

- Tá, tudo bem, vou contigo.

Roci, minha amiga cearense que também morava no Rio Grande naqueles dias, passaria em quinze minutos pra me buscar. E passou.

Centro de Porto. Estacionamos na Duque de Caxias, do ladinho do Palácio Piratini, eram perto das seis da tarde.

Sucedeu que naquele dia um ex-governador gaúcho era velado justo ali, no Palácio. E sucedeu também que bem na hora em que estávamos por passar pela frente da porta do Piratini despontou o caixão, carregado por senhores distintíssimos que não vem ao caso mencionar. Como talvez dissesse Machado de Assis, o leitor e a leitora que me desculpem, mas falta não há de fazer deixar de nomeá-los.

Fomos barradas pelos seguranças. Deixem o morto passar, e também os muito vivos que carregam seu peso. Podíamos ter contornado a Praça da Matriz, bem volteando em frente da Assembléia Legislativa e do Teatro São Pedro. Mas não, ficamos ali, bisbilhotando o cortejo fúnebre.

Passados alguns minutos, do morto só o cheiro das velas. Embalamos passos largos até a Catedral, pensando-nos atrasadas para qualquer missa a caminho; mas sem deixar, é claro, de confabular sobre os trejeitos de cada um dos que seguravam as alças. Só não falamos do morto, de quem sequer vimos a brancura funesta.

Entramos na Catedral. Vazia! Eu me sentei bem ao fundo, que Ave Maria bem rezada, ali no cantinho, já estava para mim de ótimo tamanho. Roci não contentou. Andou até perto do altar e ficou se espichando para tentar ver o que passava no meio de um bolinho de gente que ali se espremia. Baixinha como esta que vos escreve, viu pouca coisa. Mas o que viu, veio me contar:

- Ô, Adri, tu não vai acreditar! Outro velório! Vamos pra uma igreja que tenha missa, pelamordedeus!

Saímos. Nas escadarias, demos de cara com um padre, bem vestido de padre, e uma freira, da mesma forma nos moldes para a ocasião. Roci não aguentou:

- Ô, Seu Padre, boa tarde... Que horas é a missa?

- É sete horas, minha filha...

- Ah, tá certo...E me diga uma coisa, por favor, quem é o morto ali de dentro?

O Padre ficou branquinho que só. A freira só não fez o sinal da cruz por pura piedade de nós.

- Minha filha, aquela ali é a estátua do Senhor Morto! Hoje é Sexta-feria Santa!

A Roci, que perde o lugar no céu, mas não a piada:

- Ô, Seu Padre, que beleza, ãh...Hoje só tem defunto bom!!! Ali ex-governador, aqui Jesus Cristo! Vou te dizer, hoje só a diretoria!

Eu sai de fininho, nem vi a cara do padre. Ela veio atrás. Nem fomos mais na missa. Decidimos ir pra Cidade Baixa tomar uma cerveja. Afinal, não é todos os dias que se vai ao velório de Jesus Cristo e de um ex-governador numa tacada só.
Ideia fixa

A minha ideia, depois de tantas cabriolas, constituíra-se ideia fixa. Deus te livre, leitor, de uma ideia fixa; antes um argueiro, antes uma trave no olho.

[Brás Cubas, em suas Memórias Póstumas]